domingo, 3 de julho de 2011
quando não há nada de útil a dizer, simplesmente não diga. cale. pare de achar que é preciso manter a boca ativa, os pensamentos ligados, os ouvidos de todos os outros atentos - todo mundo precisa de um tempo só seu. um tempo pra pensar sobre as palavras que antes eram ditas, rever seus antigos conceitos. um tempo pra revirar o interior, à procura de cada pedacinho que lhe incomoda, e assim, aos poucos, ir mudando os hábitos. um tempo pra ficar quietinho no seu canto, só pensando na própria vida. um tempo de ser só teu - e de mais nenhum outro.
Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, até mesmo um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar.(Caio F.)
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