quarta-feira, 31 de agosto de 2011
por enquanto,
quando eu falar, beije. quando eu olhar, durma. quando eu sambar, sente. quanto eu arder, sopre. quando eu zelar, fuja. quando eu harmonizar, pinte. quando eu ramificar, una. quando eu jejuar, alimente. quando eu leiloar, presenteie. quando eu chorar, seque. quando eu sorrir, preserve. quando eu amar, acredite. quando eu terminar, dure. não seja só por enquanto. quando for por enquanto, mude.
te confesso que não consigo me imaginar mais longe. você diz que eu tenho esse ar engraçado, mas mesmo assim me olhava sem parar. você tem um beijo que me sussurrava sua própria loucura encurralada em meu amor enquanto eu permanecia neutra, muda, receptiva. só gritava quando você decidia ligar o som no volume máximo, sempre teve essa coisa exibida, como se fosse necessidade fisiológica o fato de extravasar. e eu que vivi a vida inteira em calmaria, não queria aceitar sua bobeira. eu reclamava pra não bagunçar meu cabelo e você escutava e não prestava atenção em minhas palavras. vim carregando a promessa de quebrar suas dores, apesar de nunca ter me contado, mas eu li no canto dos seus lábios. você pode virar o que quiser agora, amor, vai logo, esse meu silêncio aqui não é pra você!
eu descobri que o tempo não nos serve e entendi que pode ser divertido contar sua saudade, apesar de agoniante. eu posso não ter dia nem noite, eu posso não ter rosto nem nome. eu descobri tantos enredos de loucura e no final não me acabei, ou porque sabia que você voltaria, ou porque quem perde o medo nunca é visto. eu descobri algo muito maior. tenho umas raízes sólidas e fortes, uma linha imaginária que sai do meu tornozelo até o seu. eu demorei para descobrir, sabe? mas sempre que estava na janela vinham muitos passarinhos coloridos e, cada vez que um abria o bico, eu e minha inconsciência desenhávamos seu corpo e seus cabelos, seus sorrisos e seu anular esquerdo. descobri que você me tornou mágico e límpido de uma forma incondicional. descobri que sua alma ronda meu peito enquanto estou sem fôlego. tem uma coisa aqui dentro que você colocou e essa coisa desfez meu egoísmo, me tornou sóbria e cega ao mesmo tempo. é isso o que chamam de amor? não, isso é basicamente nosso, ninguém mais conhece.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
''Um dia, lhe quiseram roubar a borboleta. A menina pensou que nunca mais fosse vê-la, que nunca mais fosse tê-la. Que nunca mais teria a borboleta para si novamente. Certo dia, a menina olhou para si mesma, e descobriu que a borboleta pela qual ela tinha tanto apreço esteve o tempo todo em seu sorriso e em seu olhar. Que ela tinha o poder de trazê-la de volta sozinha. Só ela não havia percebido.''
o mês novo está chegando e contino amando o seu jeito de cheirar meu cabelo. desde que criei coragem de te ligar, te chamar, falar sem pausa tudo o que ficou guardado no peito me sinto mais leve. nosso símbolo, nosso gesto, nosso elo e mais coisas. penso que eu pode ser definitivo, que eu poderia não deixar a sua mão largada daquele jeito, encontrar seus sapatos perdidos debaixo do sofá, interpretar sua cara de quem bebeu mas nunca teve coragem de me revelar confissões, te beijar até te deixar com o rosto vermelho. agora o que vejo é tão vago. nossa risada sem sentido que achava a graça escondida nos cantos do jardim, do seu olhar que me dizia baixinho o quanto eu morava em seu desejo. queria te dizer que nenhuma boca fica tão bonita quanto a sua quando eu beijo e que tanta coisa me relembra você, principalmente quando é vital. o que tenho é notícia boa e momentos em que me gabo de você. vale a pena. pra todo mundo que pergunta eu digo que você faz parte de mim, muitos não parecem acreditar ou botar fé, mas e aí? nós sabemos.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
e eu usei a mesma desculpa de sempre. a mesma mentira, pra falar a verdade. disse que estava tudo bem. enxuguei as poucas lágrimas que ainda restavam no meu rosto. repousei a cabeça sobre os joelhos, e rezei para que tudo ficasse bem. olhei para o céu. sentiu alguma sensação estranha.s enti como se estivesse no lugar errado, na hora errada. meus soluços ainda falavam alto, com mais intensidade do que as próprias palavras. eu não queria continuar acordando as 6 da manhã e fingir estar bem para 20 pessoas que não se importam comigo, dizendo que não era nada. sendo que era saudade, nostalgia, melancolia. tudo.
são tantas coisas, amor. você não entende minha saudade, não compreende minha necessidade de te ver, não aceita o quanto preciso de você. quando estamos longe, só preciso que faça uma coisa: se cuida. se cuida enquanto não chego até você, cuida dessa parte de mim que há em ti, não deixa ela ir, não me deixa esquecida no escuro.
''ninguém nunca seria capaz de rotular aqueles dois.'' namorados? há quem dissesse: são casados. eram um enigma, mas, sobre eles, apenas uma certeza: havia amor. nem mesmo eles eram capazes de dizer o que diabos eram quando estavam juntos. ele gostava dela, ela gostava dele. gostar, não, amar. amavam-se. óbvio, nada poderia ser mais claro: amor. eles seriam capazes de ficar horas, dias, semanas juntos. gostavam de ficar um perto do outro, sem dizer muita coisa, apenas aproveitando a companhia do outro. cuidavam um do outro. dizem que ele daria sua vida por ela, e vice-versa.i sso é amor, certo? até que um dia, todos entenderam, até mesmo eles. ele era dela, ela era dele. nasceram um para o outro. não precisavam de rótulos ou qualquer coisa assim: amariam-se para todo o sempre.
fazia muito tempo que eu não sentia uma angustia tão grande de ter feito tudo errado, de poder te perder. falei alto, me impus, como um pai fala com um filho e te vi me encarando com olhos impressionados, olhos de quem não me reconhecia mais. fiquei com medo, medo de mim também. olhei para nós, tentando consertar as coisas, te beijei, você não retribuiu porque devia estar com medo de desistir, de querer ficar, de se perder outra vez por vontade própria. mas o medo que tem se instalado em mim é muito maior. você não vê, não? eu não sei como continuar sem você. enquanto estávamos perdidos juntos, tudo bem, não havia escuro que me tirasse dos seus braços, não havia barulho que me assustasse. e se falei alto com você, se me desesperei e mudei com você, é porque me sentia sozinha, sem saber o caminho certo, alguma coisa em mim nasceu muito errada, porque minhas lágrimas não conseguem escorrer a dor como as lágrimas das outras pessoas fazem. nunca havia enxergado em você, alguém frágil, até tinha, mas não daquele jeito. não quero mais te ver assim, preciso que meu coração bata saudável em meu peito.
porque, de qualquer forma, eu te prefiro bem perto. queria ser capaz de estar vinte e quatro horas em tuas mãos. aqui dentro da minha casa ainda faz mais frio do que na rua e eu me recuso a ficar debaixo do cobertor. já chega de me proteger, já chega de esperar a hora certa. tomara que tudo seja divertido, inclusive eu. e tomara que seja contigo.
vontade de parar um pouco, quem sabe, coisa simples. plantar uma árvore, nunca mais peguei uma criança no colo. eu sou fechada assim mesmo. contraditório, não é? você pensa que só porque eu escrevo eu digo tudo o que sinto. mas eu não digo não, meu filho. eu não procuro ninguém. tenho que ser ferro, tenho que saber lidar com minhas mil fechaduras. já tenho tanta coisa embalada, mas nunca sigo viagem. acho até que é mais difícil. é uma tarefa, entende? não venha me dizer que isso estraga minha essência. eu não escrevo sobre tudo. sobretudo, quando sei que você não gostaria de saber. coloco minha alma no lugar da sua. não quero te ferir, não quero te tirar do sério, não quero te deixar no escuro. mas, se fico quieta, não quer dizer que não tenho sentimentos guardados.
domingo, 28 de agosto de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
você me atinge com seu jeito de quem nunca teve medo de entrar numa sala escura. me mata enquanto finge que eu nunca poderia provocar nenhuma dor em você, porque eu acredito em suas mentiras mais insanas. gostar de você tem dessas. tenho que ser capaz de aceitar as ilusões e permanecer forte. você com seu jeito de que é superior ao amor vai me deixando para trás sem saber. me segure pela mão, mas a gente já passou do ponto. e nossa estrada não cabe no próprio final. se tratando de questões como essa, sou eu quem caminho lentamente, porque eu acredito que lá na frente tenha uma ponte, mas não confio na nossa segurança. o que quer dizer essa linha irreal que nos prende? sem enxergamos motivos, por que continuamos se somos tão errados? alguém me disse certa vez que é melhor seguir com calma na chuva, molha menos. não existe atrás para olhar. O que existe dentro de nós não se mistura, não forma história. é amor, e amor não se explica.
"Mas imagino, pergunto-me se você largaria o suco de laranja na mesa, a TV ligada, a janela aberta, o telefone fora do gancho, a revista dobrada, a rede armada, e correria, viria me ver, tomaria meu pequeno corpo em seus braços e me levantaria a três palmos do chão, tão perto do céu. Se você seria capaz de esquecer do mundo antigo pelo nosso. Se você atravessaria a estrada sem nada no bolso, se escalaria a montanha sem sequer um tubo de oxigênio para precaução, se derrubaria minha porta sem perder tempo procurando as chaves. Porque eu já estou aqui, amor. Corre. Corre que eu te encontro na eternidade."
domingo, 21 de agosto de 2011
já tentaram descrever o amor de tantas formas, modos, jeitos e palavras.. sem falar, nas pessoas que medizem “você é nova demais para amar, nem sabe o que significa o amor, isso que você sente é só um gostar, nada mais que isso, você ainda vai namorar muitas pessoas na sua vida”. eu discordo, realmente acho que o “eu te amo” está gasto, e as pessoas não dão valor a palavra. mas ninguém tem o direito de dizer “você não ama”; na realidade, nem você sabe o que é o amor, como pode julgar? porque amor não é feito pela idade, tamanho, cor, beleza.. nada disso. eu acredito que amar, vai da cabeça de cada um, da maturidade, conhecimento do seu par. crescer junto, se fortalecer, fazer planos e tentar cumprir.. é você deixar a sua dor no bolso para sentir a dor da pessoa. chorar se ela chorar, sorrir se ela sorrir. se preocupar mais com ela do que com você mesmo. mudar sua forma de pensar, de agir. amor não se explica, não se julga.. só sente. e vai ser as atitudes que vão dizer se você ama ou não, quando existir atitudes de amor.. isso é amar. mas amar no seu agora, seu presente.. e lutar para tornar o seu pra sempre.
sábado, 20 de agosto de 2011
nunca me vi tão perto de me distanciar de você, e o mais chocante, por escolha minha. sabe quando você se sente totalmente tola e desperdiçando tempo? como se estivesse remando sozinha? como se estivesse vivenciando um sonho idiota? eu pensando que a ''crise dos quatro meses'' tinha sido dificíl, que nada, foi tranquila perto disso. poderia vivenciar várias ''crises dos quatro meses'' ao invés desta semana...tá não poderia, mas talvez fosse mais fácil do que eu passei. seu cheiro fazia morada em todas as minhas roupas, em cada canto do meu quarto..tuas fotos espalhadas por aqui, e eu evitava encara-las. e pior, minha agenda/diário/vidadescritaemdetalhes me dava pânico, fugi dela como uma criança foge do escuro. e quando já havia terminado de soldar minha armadura, separado as palavras e a força pra te encontrar, me dei de cara com aquele par de olhos castanhos escuros e aquele cabelo bagunçado e minha armadura se desfez em pedacinhos tão pequenos que parecia dificil recolher seus pedaços... e se eu pensava que você fazia parte de mim, depois de hoje, tive certeza. não faz mais assim, não me deixa sentir sozinha, não me deixa ouvir aos outros, cumpre tuas promessas que eu cumpro as minhas.
'' eu sempre digo que não preciso de você, mas quando te vejo sempre volto á isso: por favor, não me deixe.''
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
estou cansada de acordar com preguiça, de olhar sem interesse, de silenciar sem que haja uma mão para afagar meu rosto. quero uma rosa bem vermelha e um xarope para aliviar a costela dolorido. em dias como esse, quando o sol não passa do morno, lembro que existiu um tempo bom. você esteve aqui e me fez acreditar na alegria que hoje me foge. você fazia da minha dor, escudo. da minha solidão, abrigo. dos meus lábios, céu. eu fiz questão de esquecer que todo beijo precisa de uma respiração. o claro anoitece, o sábio esquece, o poeta falece, e eu me sustento na sua tradução, porque eu sei que um dia você se entregou com toda a força. você pisou em minhas terras e embriagou-se do meu cheiro, mas não tenha medo. uma dor não vale uma vida. talvez a gente precisasse de tempos remotos pra dar valor ao que temos: eu e você.
Clarisse Parte II
Essa noite a gente vai se pertencer, pois fechando os olhos, eu te vejo; e dormindo, eu te acordo. A gente sabe durar, querida, sabe durar fácil. Não para sempre, mas a gente se leva longe, causa de morte que me enche de vida. De quando em quando te expiro, e você me volta em forma de vento de agosto. Forte e destrutivo. E o medo que me causa também me traz paz, como seus cabelos negros da noite que enegrecem seu sorriso em forma de lua minguante.
Deu vontade de te escrever, Clarisse. Escrever o quando estou fora de mim desde que descobri que o meu amor durável está há mais de três dias de mim. Assisto de longe nossas vidas brincarem de mãos dadas na porta do infinito. Tem jeito, meu bem? De ter você pra mim. Espero que a gente tenha. Sabe que eu sufocaria qualquer pedaço do meu futuro condenado para correr numa noite qualquer em direção aos seus braços, não é? Eu te imagino aqui, enganando nossos corações nessa falsidade de bem-estar, quando a nossa intensidade machuca e inflama as partes mais intocáveis do nosso corpo. E talvez por isso a gente dura, Clarisse, por doer, por ser covarde, por amar machucados e feridas que jamais cicatrizam, por ser tolo como um jovem Colibri que busca amor no Alecrim.
Tenho receio de nós, má cherie, não quero que ninguém descubra esse segredo que a gente não revela nem a si próprio. Esse segredo amargo de amor que a gente guarda em envelopes e confia a um entregador desconhecido. Vai ver é cisma de quem se tem escondido. Tenta esconder tanto e acaba se enrolando no próprio novelo. Mas não posso arriscar te contar a ninguém, vai que outros cheiros te encantam, vai que outras vozes têm entonação mais doce, e vai que elas recitam mais poemas que a minha. Vai que você se encontra. E se encontrar é o fim, Clarisse, não há mais o que fazer em vida depois que se encontra. São momentos propícios para uma morte sem causa. Prometa não se encontrar, querida, nem com você e nem com eles. A insegurança não é fraqueza, pois estou te protegendo. Do meu jeito possessivo, obsessivo – e outros “-ssivos”, mas estou.
Imagino que esteja agora, com seu cabelo amarrado para trás, perguntando às estrelas onde estaria o poeta, e rei, que conseguirá colher a flor do sertão. Eu, aqui, e mais distante quanto mostra a distância, tenho você em meus pensamentos constantes. E até nos inconstantes. Sinto uma vontade de te proteger, mesmo sabendo que nosso escuro faz bem pra gente. É como não permitir que deite no chão, mas sim sobre meu corpo cheio de espinhos.
Queria mesmo que a gente se tivesse, Clarisse. Não assim, em sonhos e codinomes, pois você exigiu que fosse bem guardada, mas no corpo a corpo. Às vezes a sensação de que você vai embora toma conta e tenho calafrios que me arrepiam na alma. E não sei se faz diferença, mas não te permito ir embora. Tenho pavor de ficar só, sem o “eu” que existe em você e sem o “você” que existe em mim. Mas me deixa aqui, assim mesmo, enquanto isso, aproveitando, tendo, medindo os detalhes da sua dança que me encanta, sonhando, porque nosso dia ainda chega, nossa poesia ainda dói e nossos lábios ainda estão umedecidos. Só não deixa nosso amor virar assunto popular, a gente se desenrola melhor sozinho. Nessa solidão de ser dois, nessas palpitações desconjuntadas e nos assuntos mal-resolvidos.
Pois você é dois escudos, Clarisse, e eu sou duas espadas. E até nisso a gente se equilibra bem.
Deu vontade de te escrever, Clarisse. Escrever o quando estou fora de mim desde que descobri que o meu amor durável está há mais de três dias de mim. Assisto de longe nossas vidas brincarem de mãos dadas na porta do infinito. Tem jeito, meu bem? De ter você pra mim. Espero que a gente tenha. Sabe que eu sufocaria qualquer pedaço do meu futuro condenado para correr numa noite qualquer em direção aos seus braços, não é? Eu te imagino aqui, enganando nossos corações nessa falsidade de bem-estar, quando a nossa intensidade machuca e inflama as partes mais intocáveis do nosso corpo. E talvez por isso a gente dura, Clarisse, por doer, por ser covarde, por amar machucados e feridas que jamais cicatrizam, por ser tolo como um jovem Colibri que busca amor no Alecrim.
Tenho receio de nós, má cherie, não quero que ninguém descubra esse segredo que a gente não revela nem a si próprio. Esse segredo amargo de amor que a gente guarda em envelopes e confia a um entregador desconhecido. Vai ver é cisma de quem se tem escondido. Tenta esconder tanto e acaba se enrolando no próprio novelo. Mas não posso arriscar te contar a ninguém, vai que outros cheiros te encantam, vai que outras vozes têm entonação mais doce, e vai que elas recitam mais poemas que a minha. Vai que você se encontra. E se encontrar é o fim, Clarisse, não há mais o que fazer em vida depois que se encontra. São momentos propícios para uma morte sem causa. Prometa não se encontrar, querida, nem com você e nem com eles. A insegurança não é fraqueza, pois estou te protegendo. Do meu jeito possessivo, obsessivo – e outros “-ssivos”, mas estou.
Imagino que esteja agora, com seu cabelo amarrado para trás, perguntando às estrelas onde estaria o poeta, e rei, que conseguirá colher a flor do sertão. Eu, aqui, e mais distante quanto mostra a distância, tenho você em meus pensamentos constantes. E até nos inconstantes. Sinto uma vontade de te proteger, mesmo sabendo que nosso escuro faz bem pra gente. É como não permitir que deite no chão, mas sim sobre meu corpo cheio de espinhos.
Queria mesmo que a gente se tivesse, Clarisse. Não assim, em sonhos e codinomes, pois você exigiu que fosse bem guardada, mas no corpo a corpo. Às vezes a sensação de que você vai embora toma conta e tenho calafrios que me arrepiam na alma. E não sei se faz diferença, mas não te permito ir embora. Tenho pavor de ficar só, sem o “eu” que existe em você e sem o “você” que existe em mim. Mas me deixa aqui, assim mesmo, enquanto isso, aproveitando, tendo, medindo os detalhes da sua dança que me encanta, sonhando, porque nosso dia ainda chega, nossa poesia ainda dói e nossos lábios ainda estão umedecidos. Só não deixa nosso amor virar assunto popular, a gente se desenrola melhor sozinho. Nessa solidão de ser dois, nessas palpitações desconjuntadas e nos assuntos mal-resolvidos.
Pois você é dois escudos, Clarisse, e eu sou duas espadas. E até nisso a gente se equilibra bem.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
agride dizer que o céu andou chorando a sua falta. finalmente voltei para casa, passei o dia evitando voltar, porque sabia que ao entrar no meu quarto tudo desabaria sobre mim. as ruas estão todas alagadas, assim como qualquer coração que se preste à diabólica mania de se apaixonar. mas a minha casa não é a minha casa sem o cheiro doce que se concentrava no seu pescoço, cuja essência me fazia lembrar da infância, de quando, numa brincadeira, eu me permitia ser feliz. eu não deveria conhecer o fato. não deveria saber que seus olhos ficarão distantes, distantes, distantes… cada vez mais esquecidos do meu rosto. nunca consegui falar adeus. aceito a despedida porque eu quero cada segundo a mais que puder ter. porque vale a pena doer, se eu estiver tão perto que a distância seja só uma questão futura. mas futuros chegam rápido. você vai me deixar virar um elemento do subconsciente. depois de um tempo, nem saberá da forma bonita com que nossos dedos se encaixavam: perfeitamente. essa vida largada que me obrigava estar sempre louca por você - que farei dela? não terei mais crimes de amor. não terei confissões esdrúxulas de ciúmes, de possessão, de desejo, mas que nós nos permitíamos. mas é você. isso significa que ainda está presente, aqui dentro, mesmo que destruindo os castelos antes erguidos. qualquer sinal que permita saber que você ainda está aqui é bem-vindo.
já não te peço para lutar por mim. já não espero que você faça o que eu não tenho coragem de fazer. o vazio entre nós me assusta.e u me pergunto se você consegue notá-lo, mas seria praticamente impossível desperceber isso. você também sente medo, não é? tem medo de perceber que consegue seguir sem mim. medo de assumir que falamos muitas mentiras, que estamos finalmente quites. se antes conseguíamos mergulhar completamente em todos os segredos que inventamos em nossa mania de companheirismo, agora não nos tocamos até em abraços, não nos ouvimos até em canções, não nos vemos até em presença. será que toda essa gente que vive uma história de amor, como em um coma profundo, aguenta esperar a urgência passar? e eu, amor? e você? não somos fortes o suficiente para nos aguentarmos. somos farinha do mesmo saco. eu, que agora peguei o costume de beijar sua mão, sei bem que não somos mais desconhecidos que se cumprimentam com um olá. toda palavra que sai de você parece mais um adeus. eu fecho os olhos e seu rosto já não se esconde sob minhas pálpebras. seu coração nunca mais bateu na entonação do meu nome. já não há vitória, não há nada. nem guerra. agora a nossa paz não mais combina, só isso. não parece tão ruim. carrego comigo as lembranças que você deixou. e que você não me carregue, só para garantir. nem dois em um, nenhum para dois. enquanto você não voltar á ser quem eu me apaixonei, não precisa voltar. grata.
"Eu sou uma cena de filme triste sem sentido, que vive a angústia de nunca ser compreendido. Ninguém descobre o que eu digo em silêncio. Eu sou o vazio do começo. Eu sou esse alguém que se debruça na janela e olha o abismo sem medo. Porque não há nada ser dito ou esperado. Eu sou o replay."
— Ana L. Alves
é isso que me irrita profundamente em você. vem cá, você não tem certeza de nada? você é um grande talvez. tudo é talvez. você sabe teu nome, pelo menos? e eu sou tão cheia de certezas, e isso por um acaso é ruim? ''pessoas que costumam ter muita certeza de tudo, na verdade, não sabem de nada.'', bom essa frase pode até se aplicar á tudo, menos ao amor. eu refiro assim, porque, dessa vida, eu só sei que não sei de absolutamente nada. eu quis dizer que você tem estado em constante mudança, dificilmente sente a mesma coisa sobre algo dois dias seguidos. digamos que os seus sentimentos dão uma passeada e depois voltam famintas, rasgando tudo aqui dentro. sabe, a gente inventa dor e amor em tudo que nos satisfaz…e de alguma forma sempre que você volta, parece sentir mais. deixa tudo pra lá e sente, só sente.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
decepção é saber que estava dando certo. saber que estava conseguindo cumprir as promessas que fiz e seguir o roteiro que planejei. decepção é deitar a cabeça no travesseiro e permitir com que as lágrimas caiam, vendo que foi tudo igual. decepção é confundir a realidade com um outro mundo totalmente paralelo. decepção é se culpar por ter acreditado que seria diferente. decepção é entregar seu coração para alguém que não vai cuidar dele.
cadê você? eu ando precisando tanto do seu colo, me diz que gosta, por favor. você gosta, não gosta? quando eu fico frágil e quase sem escolha nos seus braços? quando eu fecho os olhos e confio minhas inseguranças ao seu abraço? hoje me bateu uma vontade insana de só ouvir seu coração batendo. eu queria esquecer um pouco que o mundo é grande. eu também morro de medoacho que eu tenho síndrome de auto-perseguição. por que você não me prende? bem que poderia ter jeito. quero deixá-lo guardado e invisível porque dá menos trabalho lutar por você. me desculpe. mas não posso perdê-lo facilmente assim. ás vezes sou absorvida por uma certeza tão absoluta de que me sustento por você. e sei que no meio de tantos desabafos e dores, acertamos os passos. seguimos mínimos, amor, mas inquebráveis. todas as fantasias bonitas que em que você me coloca também me dão uma urgência tremenda de nós dois. que tolos nós somos, não? receio que finalmente tenhamos virado um conto de fadas. a nossa história dá uma pitada estranha, no fundo da alma, de querer chorar até dormir. eu choraria por você sim, se quiser saber. porque eu sinto que tem muita coisa que nos arrasta para longe. mas ficamos aqui por pura teimosia. porque queremos, talvez, provar para nós mesmos que podemos ter qualquer coisa a nosso favor, quando tudo é exatamente o contrário. você quer me fazer feliz e é disso que eu mais tenho pavor. não pela felicidade em si. mas porque você parece não ter certeza ás vezes. isso que você quer talvez seja o impossível além do inimaginável. mas, mesmo com todas as provas, permaneço ao seu lado. só porque você não me tira do vazio e une os dois num só.
e eu gosto de permanecer por perto, porque só você é capaz de me proteger. eu queria ser mais sua do que minha, acredite. também não queria ser eu em dias como esse, em que sua saudade chega a ser de concreto. sinto você bem no profundo da minha profundeza. no núcleo do coração. no imaginário da razão. sinto você até no que ficou insensível.
e eu gosto de permanecer por perto, porque só você é capaz de me proteger. eu queria ser mais sua do que minha, acredite. também não queria ser eu em dias como esse, em que sua saudade chega a ser de concreto. sinto você bem no profundo da minha profundeza. no núcleo do coração. no imaginário da razão. sinto você até no que ficou insensível.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quando eu encontrei com o amor, nada era lindo nem atraente, o que me cercava estava acima de qualquer sensação de beleza, o que me rondava era a tradução da vida, sem querer ser chamativa ou não, sem se importar com detalhes. quando eu não pensei, decidi aceitar o amor, e não fazia frio nem ventava, o tempo apenas se desfazia assim como as horas que corriam quando eu estava com você. quando o amor quis me tomar, soube que antes estava vazia e que os meus mistérios poderiam ser certos, descobri que eternidade diverge opiniões, acendi o pior sentimento que poderia me corroer por dentro, porque sabia que ele não estaria a salvo da claridade que vem junto com os olhos de alguém. fiz questão de destruir minhas fraquezas, fechei a porta para que eu não tentasse fugir. quando eu virei amor, quis morrer como ninguém, destruí minhas verdades e abandonei as ilusões. que me importam os fatos, se minha força vem do que me tornei? quando o amor: eu. um laço tão sólido que virou uma fita só. perdi minhas extremidades, agora sou por inteiro você.
''E eu preciso de você, entende? Preciso do seu sorriso, preciso do seu carinho. Preciso do seu conforto, do seu abraço, do seu toque. Preciso das suas piadas, das suas provocações; preciso até dos seus insultos. Preciso das suas palavras mais doces, preciso das suas palavras mais sinceras. Então, vem. Porque eu preciso de você, porque eu te amo.''
sábado, 13 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: “Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto”.
Então ela desfez-se da arrogância: “Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história.”
Era o pudor sendo desabotoado: “Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou”.
Retirava o medo: “Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei”.
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:
“Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui”.
E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
(Martha Medeiros)
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: “Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto”.
Então ela desfez-se da arrogância: “Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história.”
Era o pudor sendo desabotoado: “Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou”.
Retirava o medo: “Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei”.
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:
“Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui”.
E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.
(Martha Medeiros)
e você sabia exatamente quando eu estava precisando de um colo. de um ombro. ao escutar a minha voz, sabia se eu estava bem ou não. conheci teus defeitos, tua mania de me provocar só pra me deixar irritada porque adorava me ver brava. conheci todos os teus tipos de olhares e sorrisos. lembro de cada um deles..tantas vezes ao dia.
as pessoas entendem tudo de um jeito torto. e aí eu pareço meio chata, meio dramática, meio triste-sem-motivo, mas não é isso. eu não peço nada de ninguém, eu não quero que ninguém tome as minhas dores, eu não quero complicar a vida de ninguém, eu nem falo pra ninguém porque minha intenção é ver quem vai entender apesar do meu silêncio. tá bom: eu sou chata, eu sou dramática e fiquei triste sem motivo. mas querer um abraço diferente, daqueles que abraçam com vontade, é muito? me digam.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
veio manso, abraçou, limpou o que sangrava, fez curativo no que o tempo não havia conseguido fechar. estendeu a mão, contou sua história, entregou toda a doçura que ainda existia no que também lhe doía. ambos machucados, vendo esperança no que o outro perdera… rentando nos convencer de que a partir daquele nada poderíamos ter algo novamente. foi ali que achei que nós nos entenderíamos.
brincava de me encarar até eu desviar meu olhar, mesmo sabendo que sempre desistia segundos depois. não suportava aquele olhar tão determinado, ele me desmontava em inúmeros pequenos pedacinhos que ficavam aos seus pés…tive vontade de abandonar longe de casa tantas memórias tristes depois que seus dedos tocaram meus cabelos embaraçados. nada que me remetesse a outras histórias nem a outros amores, quis manter apenas a pessoa na qual eu havia me tornado a partir deles. prefiro este eu, o eu que aprendeu muito. estive disposta a construir um mundo todo do zero, caso nada no meu mundo pudesse ser salvo. estive disposta a me reconstruir de diversas formas, caso alguma pudesse dar certo pra nós. quis dar muito de mim, você sorriu e eu quis te entregar quase tudo.
aproximou-se além do que deveria. eu quis algo. você corria em minha direção e fugia de mim ao mesmo tempo. naquela semana suspeitei que você quisesse nada. a certeza doeu. a certeza perfurou o meu peito e o fez ressoar madrugada adentro. voltei alguns passos pensando se o havia entendido errado, se havia o entendido ao menos em algum momento. tentei descobrir quem você era. quem é. pensei se me enganei ou se me enganou. já não sei mais o que você disse, nem o que eu quis escutar. já não sei o que esqueço e o que quero lembrar. talvez eu nunca entenda nosso passado, afinal hoje somos tudo um para o outro. a gente tem que se sentir pronto, precisa enfiar os dois pés na lama e precisa continuar imerso quando o outro não está observando. nem precisa querer, é só não conseguir em momento algum lutar contra. eu quis algo. quis protegê-lo e sabia que poderia fazê-lo mesmo quando não conseguia proteger sequer a mim mesma. perdoe-me se precisei fazer de conta que nunca fomos parte um do outro. e se eu continuar fazendo: respira fundo e vive. contabilizei se você mais curou do que abriu feridas, tive medo de saber o resultado.
brincava de me encarar até eu desviar meu olhar, mesmo sabendo que sempre desistia segundos depois. não suportava aquele olhar tão determinado, ele me desmontava em inúmeros pequenos pedacinhos que ficavam aos seus pés…tive vontade de abandonar longe de casa tantas memórias tristes depois que seus dedos tocaram meus cabelos embaraçados. nada que me remetesse a outras histórias nem a outros amores, quis manter apenas a pessoa na qual eu havia me tornado a partir deles. prefiro este eu, o eu que aprendeu muito. estive disposta a construir um mundo todo do zero, caso nada no meu mundo pudesse ser salvo. estive disposta a me reconstruir de diversas formas, caso alguma pudesse dar certo pra nós. quis dar muito de mim, você sorriu e eu quis te entregar quase tudo.
aproximou-se além do que deveria. eu quis algo. você corria em minha direção e fugia de mim ao mesmo tempo. naquela semana suspeitei que você quisesse nada. a certeza doeu. a certeza perfurou o meu peito e o fez ressoar madrugada adentro. voltei alguns passos pensando se o havia entendido errado, se havia o entendido ao menos em algum momento. tentei descobrir quem você era. quem é. pensei se me enganei ou se me enganou. já não sei mais o que você disse, nem o que eu quis escutar. já não sei o que esqueço e o que quero lembrar. talvez eu nunca entenda nosso passado, afinal hoje somos tudo um para o outro. a gente tem que se sentir pronto, precisa enfiar os dois pés na lama e precisa continuar imerso quando o outro não está observando. nem precisa querer, é só não conseguir em momento algum lutar contra. eu quis algo. quis protegê-lo e sabia que poderia fazê-lo mesmo quando não conseguia proteger sequer a mim mesma. perdoe-me se precisei fazer de conta que nunca fomos parte um do outro. e se eu continuar fazendo: respira fundo e vive. contabilizei se você mais curou do que abriu feridas, tive medo de saber o resultado.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
eu sei que dói, que você pensa que desistir é a melhor saída, porque acha que não é forte o suficiente pra levantar e seguir em frente. você pensa que todos te abandonaram quando você mais precisa, mas na verdade uma só pessoa fez isso e é isso que mais dói. talvez porque fosse a única que preenchia o vazio dentro de você, e o pior é que agora parece que esse vazio é muito maior do que era antes, né? acredite eu já passei por isso. o silêncio e a solidão são suas únicas companhias, não é? até porque mesmo se você tiver outras, não vai conseguir se concentrar em nada que tente te distrair dessa dor e desse vazio. seu corpo parece estar sem rumo, assim como a sua mente e o teu coração. seu sangue ferve e tenta suprir todo esse “precisar”. você se tornou extremamente dependente de uma só pessoa, certo? as brigas e as discussões, as lágrimas e palavras ditas da boca pra fora, machucaram, não foi? mas nada se compara com o que está sentindo agora. eu sei disso tudo. sei como termina, sei o quanto dói. quer uma verdade? só vai doer mais e mais. sabe por que? porque ou você só quer uma forma pra parar de doer tanto, ou você quer sentir essa dor, porque é a única forma de sentir que essa pessoa continua de alguma forma dentro de você. mas enquanto pensar na dor, vai doer, pode acreditar. agora eu te digo uma coisa: ela apareceu quando você pensava que tudo estava perdido, não é? quando tinha um vazio dentro de ti. então, o que impede que isso aconteça outra vez? que outra pessoa substitua o vazio e preencha ainda mais o espaço que deixaram em você. mas você tem que querer isso, tem que estar aberto pra tudo. levante, esperar a tempestade não impede que ela se torne pior e passe, ela não passa. você tem que levantar e seguir pra tempos melhores. você consegue, eu consegui, outras pessoas também já conseguiram. confie, porque pelo menos você sabe que não dá pra fugir de si mesmo.
‘’só não impeça que uma escolha anule todos os caminhos.”
não precisa mais me pedir pra estar ao seu lado, vou estar sem você pedir. agora existe um oceano que não é nosso e a gente se perde diante de tanta percepção dolorida de tudo. eu sorrio do outro lado da estrada, sabendo que talvez você nunca mais volte a ser o mesmo. eu aceno da janela da prisão, afirmando que a coisa mais difícil do mundo é essa mão aqui entrelaçar-se à sua. eu tento pensar em mil maneiras, de arrancar esse cartão de memórias implantado dentro do seu peito, sabendo que não quer esquecer. nos despedimos, sem palavra falada pela boca, só uma troca de pesados olhares. pedimos, perdemos. caímos. tentei colocar a carga toda em cima dos ombros e andar de cabeça erguida, como se o nosso laço de amizade segurasse tudo. de fato, segurava. segurava. mas por confiar demais em que você ficaria bem rápido perdi o nó desse laço, olhe onde fomos parar. não sabemos, nos desencontramos. e por acreditarmos que tínhamos todo o tempo do mundo, sendo que só nos restava o coração sem sintonia, o olhar sem pontaria. agora, você sem olhar pros lados indo pro mais longe que pode, com medo..eu vou te ajudar, pode acreditar, ainda preciso de quem me ensinou o que era amizade.
se você chegasse bem de mansinho, escondido nesse seu silêncio encantador, espalhando o cheiro daquele perfume que é o melhor do mundo, sem nenhum som, medindo os passos, sem abrir a boca pra falar que me ama, eu deixaria você morar aqui dentro. se você sentasse ao meu lado no sofá, passasse o braço por cima do meu ombro, escorregasse a cabeça para cheirar minha pele, beijasse bem de leve o meu cabelo, eu ficaria parada e entregaria o que mais tenho de valioso: minha mudez. acredite o meu silêncio é algo precioso, porque quase nunca acontece. eu não o quebraria com minha voz nem o amedrontaria com o meu discurso típico de quem sabe de defender. bastaria ser, bastaria estar. bastaria sentir seu rosto bem perto, nenhum movimento, nenhum gesto brusco. a gente no meio do nada descobrindo que tudo está no meio da gente. a gente no meio de tudo descobrindo que nada importa, além de nós dois.
e caio em teus olhos. e isso, em ato, não significa nada. o ruim é que vem depois, bem depois. vou penetrando na saudade que você deixa. então você vem, e fala sobre a vida, sobre a rotina, sobre a tal amiga que sempre te deixa na mão. e eu nem reparo, fico ouvindo o som do vento e pregado em teus olhos. nos teus olhos. no jeito que você fala, como tem dificuldade em pronunciar as palavras de modo lento. nos teus medos. nos teus sentimentos. e me perco neste sem fim-sem-começo. sem tirar, sem virar o rosto, sem sair deste encontro silencioso. pede atenção. mas não dá, não dá pra ficar esperando resto, ficar esperando sua boa vontade. tenho que te olhar mais, prestar atenção nos teus erros. nos teus detalhes. na vida que me dá com uma piscada. na maneira como puxa meu cabelo, e me concentro no teus atos. e vou vivendo um pouco em cada gesto. e vou me afundando um pouco em cada gesto. e vou te amando mais um pouco, em cada gesto, e não consigo sair de você.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
meio dia sem você. mil maneiras de me trazer de volta, me recompôr, me acalmar, mas não tenho vontade e nem coragem para afastar sua presença.t alvez eu precisasse, desde sempre, saber quais das suas confissões eram realmente verdadeiras. talvez eu devesse me manter a alguns quilômetros de distância dessa sua forma esculpida e teatral de enfeitar o amor. talvez eu tivesse que me resgatar do seu cárcere, libertar nosso abraço, refazer meus passos em outra direção. porque eu sei que sabor eu tenho para você. faz tempo que eu não me imponho. faz tempo que estou ao seu dispor porque não tenho forças para lutar contra a sua beleza. mas agora, sem saber se isso é você ou só a imagem que tenta me passar, eu tenho vontade de dizer qual mensagem subliminar estaria escondida em seu sorriso, qual carta você seria em meu baralho, qual cor acompanharia a sua refeição. tenho vontade de falar que estou dando adeus, que quanto mais você se enaltece, mais eu preciso ir embora. e se, para você, eu tenho gosto de outono para mim, você tem gosto de despedida. é certo que vou conseguir passar outras horas do relógio sem você. vou conseguir. espero minha solidão como quem espera o sertão virar mar. queria ser ausente de você. sozinha ao lado de qualquer outra pessoa que não seja tão maior e tão mais esperto que eu.
texto antigasso, por favor não copiem.
texto antigasso, por favor não copiem.
''Bem-te-vi que não vê, que só me sente, que só me encontra em pensamentos e filosofias baratas misturadas com corações; que amor desamado foi esse que jogaram em nossas mãos? Que segredos sãos esses que contamos baixinho, com medo de espantar os outros, com medo de fugirmos para onde possamos nos perder? Tem tanta coisa em nosso mundo que eu já não sei se tudo está no lugar certo. Não importa. Esses seus olhos combinam com minha alma. Eu adoro a tua bagunça interna, adoro o teu sorriso de desistente. Eu adoro a parte que qualquer pessoa odiaria, porque eu sei que tu não te encolheste sob cobertas, que tu foste meu o suficiente para que não me escondesses qualquer pedacinho teu. Meu amor, meu príncipe de sete capas, meu passarinho altivo, meu dengo, eu só consigo te encontrar em desenhos coloridos. Não me culpa. Não precisas me dizer que também há ruindade e imperfeição em ti. Porque, para mim, enquanto me desfaço na presença da tua saudade, tu és apenas o resultado de um coração em prantos de tanta paixão. ''
claro, meu amor, é claro que continuo com as duas pernas, os dois olhos, é claro que continuo inteira. é claro que quando você muda de humor não perco nenhum membro, acredito que perco um pouquinho mais que isso. mas tudo bem. eu já acertei a maioria dos relógios de casa, agora você vai ver como ficarei boa, vai ver como saberei me localizar no tempo e no espaço. quando brigamos, criei a habilidade de te isolar dentro da minha cabeça e penso em outras coisas, só o seu cheiro eu não consegui tirar daqui. onde já se viu amor pendendo só para um lado da balança? então espero você voltar a ser quem eu amo, e te tiro dos quatro lados de tijolos que te coloco quando faz malcriação, faz muita lógica, algum dia ainda me convenço das próprias verdades que passam pela minha cabeça. deve ser porque você tem um “quê” de eternidade. esse cheiro agarrado para sempre, assim como nossas bocas que são unidas para sempre. nossas peles arrepiadas para sempre. nossas mãos entrelaçadas para sempre. tenho pleno controle sobre esse meu coração, meu bem. acredite. um dia eu acreditarei também.
coisas bobas eu não quero mais .muita gente acha que tenho um jardim no peito, mas só depois de muita força brotou flor do meio dessas pedras. não posso arrancar planta alguma, nunca venho com presentes. eu sempre chego com as mãos vazias, assim como minha crueldade. porque talvez eu seja crua, mas não cruel. eu respeito meus dias de fúria e acabo com a música que eu mesma criei. mas não mexo no mundo de ninguém, mesmo que esteja bagunçado. eu entro e saio na ponta do pé, deixando um assobio para que saibam que era eu. se é que sou algo. porque desde o dia em que eu disse seriamente que não gostava de receber mensagens às duas da manhã, você parou de mandá-las. mas era bom acordar sabendo que eu tinha um amor para zelar. era bom o sono de uma certeza imensa. só que você olhava fundo nos meus olhos e não via minha pupila contraída, porque até eu acredito nas minhas mentiras. eu tô presa debaixo desse céu e gosto de falar que sei voar. repito vinte e três vezes que não vou morrer. eu não preciso de mais nada que conheço.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
e é por culpa sua que agora não sei mais me fingir de morta. por sua culpa eu tô parecendo normal e sã. quem deixou você fazer isso comigo? quem deixou você me prender desse jeito contente e caloroso? se fosse qualquer outra pessoa, eu pediria minha loucura de volta. mas é você. droga. évocê. por que eu não consigo pedir pra você me soltar?
e pra quem disse você não tinha coragem, você enfrentou até a si mesma. e para quem disse que você não se levantaria de novo você conseguiu aparentar totalmente o contrário. você é forte. me encontro no que está passando, e para mim, que um dia disse que você parecia fria, sobrou-me revelar a mentira. pois eu tinha cadeado e permanecia com o peito fechado, e pensava que só nisso éramos idênticas. você é mais que qualquer dor e sabe disso, posso não estar presente a todo momento, mas saiba que na tua dor me encontro e se precisar .. te empresto um pedacinho de mim.
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