domingo, 4 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
por enquanto,
quando eu falar, beije. quando eu olhar, durma. quando eu sambar, sente. quanto eu arder, sopre. quando eu zelar, fuja. quando eu harmonizar, pinte. quando eu ramificar, una. quando eu jejuar, alimente. quando eu leiloar, presenteie. quando eu chorar, seque. quando eu sorrir, preserve. quando eu amar, acredite. quando eu terminar, dure. não seja só por enquanto. quando for por enquanto, mude.
te confesso que não consigo me imaginar mais longe. você diz que eu tenho esse ar engraçado, mas mesmo assim me olhava sem parar. você tem um beijo que me sussurrava sua própria loucura encurralada em meu amor enquanto eu permanecia neutra, muda, receptiva. só gritava quando você decidia ligar o som no volume máximo, sempre teve essa coisa exibida, como se fosse necessidade fisiológica o fato de extravasar. e eu que vivi a vida inteira em calmaria, não queria aceitar sua bobeira. eu reclamava pra não bagunçar meu cabelo e você escutava e não prestava atenção em minhas palavras. vim carregando a promessa de quebrar suas dores, apesar de nunca ter me contado, mas eu li no canto dos seus lábios. você pode virar o que quiser agora, amor, vai logo, esse meu silêncio aqui não é pra você!
eu descobri que o tempo não nos serve e entendi que pode ser divertido contar sua saudade, apesar de agoniante. eu posso não ter dia nem noite, eu posso não ter rosto nem nome. eu descobri tantos enredos de loucura e no final não me acabei, ou porque sabia que você voltaria, ou porque quem perde o medo nunca é visto. eu descobri algo muito maior. tenho umas raízes sólidas e fortes, uma linha imaginária que sai do meu tornozelo até o seu. eu demorei para descobrir, sabe? mas sempre que estava na janela vinham muitos passarinhos coloridos e, cada vez que um abria o bico, eu e minha inconsciência desenhávamos seu corpo e seus cabelos, seus sorrisos e seu anular esquerdo. descobri que você me tornou mágico e límpido de uma forma incondicional. descobri que sua alma ronda meu peito enquanto estou sem fôlego. tem uma coisa aqui dentro que você colocou e essa coisa desfez meu egoísmo, me tornou sóbria e cega ao mesmo tempo. é isso o que chamam de amor? não, isso é basicamente nosso, ninguém mais conhece.
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