remexi no meu passado hoje, não naquele que guardamos na cabeça, e nos faz cair no choro ou no riso com lembranças. mas sim, naquele material, naquele guardado no fundo da gaveta, talvez porque eu nem lembrasse mais que existisse, ou porquê escondi as provas dele. eu chamo de caderno, mas não são, são agendas, me identifico melhor descrevendo cada dia, exatamente em sua data. começou quando fiz terapia durante quase dois anos, não porque eu fosse louca, porque embora algumas pessoas ainda sejam ignorantes a ponto de dizer que ir ao psicólogo é coisa de gente louca, eu ia porquê sempre tive dificuldade de explicar para os meus pais o que se passava comigo, eles não entendiam, ou muitas vezes não tinham tempo de ouvir, e nessa eu guardava tudo pra mim, e fui ficando meio rebelde. portanto, pedi que fosse pra psicóloga. admito, foi um tempo de equílibrio, tanto psicológico quanto social MUITO grande pra mim, eu tinha alguém pra conversar, que eu podia chorar ali, me descabelar, e ela ainda me olharia da mesma maneira e aquelas conversas realmente nunca sairiam dali. não que eu não gostasse de conversar com amigos, mas infelizmente as amizades passam mais rápido do que imaginamos. enfim, um dia essa psicóloga me disse que eu deveria escrever tudo aquilo que não tinha coragem de gritar. no começo, não entendi qual era a finalidade, eu escrevia, mas apenas porque fazia parte do que havíamos combinado, peguei esses meus primeiros cadernos hoje, ri, não de mim, mas sim de como meus ''problemas'' antigos, eram tão bobos comparados aos de hoje, existem várias linhas riscadas e eu só sabia reclamar dos meus pais, que eles não me davam atenção, que eles achavam meus problemas besteira, realmente, pra dois adultos, os problemas de uma menina de treze anos, são idiotas. mas para mim, não eram. pouco depois disso, parei de fazer terapia. na realidade, meu pai me tirou da terapia, até hoje não sei porquê. mas não deixei de escrever, em outro caderno tenho algumas folhas, que diziam que eu iria voltar pra terapia escondida, haha, os primeiros meses me deixaram perdida, eu escrevia muito, por não confiar em ninguém para contar. os outros cadernos começaram a ficar menos rebeldes a medida que eu aprendi a me virar sozinha, aprendi a ser feliz, sorrir por nada, e mentir. não sou hipócrita a ponto de dizer que não minto, eu minto sim, e bem demais até, com isso fiquei boa em enxergar a verdade e a mentira nas pessoas. li todas as minhas agendas sem exceção de nenhuma, vi ali a descrição do primeiro menino que beijei, como eu fiquei boba quando isso aconteceu, nem dormi no dia, e pensei que ele ia estar comigo pra sempre, algumas folhas depois mostram que isso não aconteceu. ai apareceu outra pessoa, cuja eu não esperei tanto como da primeira, e justamente por isso, ele me quis mais, e eu não quis ele. talvez eu tenha deixado passar alguém importante, ou talvez não. logo depois vêm a minha mudança de escola, minha revolta com meu pai por fazer isso, e como eu odiava aquele lugar, aquelas pessoas e a maneira como elas falavam. algumas folhas depois, me vi acostumada com o novo ambiente, as pessoas, e mais madura. confesso que com todo o jeito do meu pai, ele ter me mudado de escola, foi a melhor coisa que poderia ter feito por mim, encontrei minhas melhores amigas, um tipo de amizade que eu realmente desconhecia, pessoas que se importavam com você, te ligavam de tarde só pra saber o que você estava fazendo, pessoas que brincavam com meu jeito de falar e que mesmo assim tinham um cuidado sabe? coisa de amigo mesmo. e nessas horas, eu me pergunto porque o meu caderno de 2009 e de 2010 girou em torno de uma pessoa, e não deles. vejo ali, alegria, e duas folhas depois, me perguntando o que eu havia feito de errado. e assim foi, o ano todo.
comprei minha agenda nova, e sinceramente, eu não sei se quero desperdiçar 365 folhas com você novamente.
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