quarta-feira, 22 de junho de 2011

"— Alô?
— Só estou te ligando pra te lembrar que dia é hoje.
— Dia vinte e um de junho?
— Exatamente.
— Bem, obrigada por me lembrar. Mas agora eu tenho que…
— Espera! Você está falando sério? — O silêncio foi mais alto que um grito até que uma das respirações se alterou.
— Estou, eu tenho um calendário aqui ao lado e eu olhei que dia é hoje e preciso desligar. Por quê? — Ele sempre jogava daquele jeito.
— Você está brincando, só pode. Você sempre brinca com essas coisas, não é? Para com isso.
— Faz tanto tempo…
— Eu sei que faz, mas você não mudou.
— Como você pode afirmar com tanta certeza que eu não mudei? Não conversamos normalmente há… Sei lá quanto tempo. — Mas ele sabia.
— Há uns meses. — Ela também sabia.
— Enfim… Não importa. Por que você ligou mesmo?
— Pra te lembrar.
— Ah, ok. Feliz dia vinte e um de junho, então.
— Nem tão feliz. Como que eu posso comemorar essa data sem você por perto?
— Eu não sei.
— Então, não vamos comemorar. Só vamos lembrar.
— É, pode ser. Boas lembranças do dia vinte e um de junho, então?
— É, por aí.
— (…)
— Por que você complica tudo? — Ela soltou depois do longo silêncio.
— Porque eu sou assim, eu nunca sei o que quero direito. — A voz dele falhou.
— Incrível… — Ela deu uma fungada.
— Hey, calma! — Ele soltou com aquele ar de “quero te cuidar, mas só agora”.
— Não sei o que é calma há meses.
— Para, eu não queria te deixar assim.
— A culpa não é sua, não é? Nunca é. A culpa é só minha mesmo. — O sarcasmo se apossou da voz dela. Mas depois veio a calma… — Quero te ver e resolver o que ficou pendente.
— O que ficou pendente? — Ele se fez de desentendido.
— Meu amor. Ele tá na sua porta há tempos, pedindo pra entrar e você o deixa ali de fora, mas nem por isso ele vira as costas e vai bater em outra porta. Ele toma chuva, fica resfriado, mas continua ali, batendo. Às vezes grita seu nome e você finge que não ouve.
— Eu acho que perdi a chave e por isso não abri.
— Você só tem que querer… Se você quiser: Você pode, então, abrir a janela? Ou me deixar entrar pela chaminé? Qualquer coisa?
— Posso.
— Feliz dia vinte e um de junho."

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