domingo, 3 de julho de 2011
Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, até mesmo um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar.(Caio F.)
sexta-feira, 1 de julho de 2011
o cheiro dele aparece no meio da tarde, interrompendo meu caminho, causando interferência em meus sentidos. eu tento não pensar nisso, deixo tudo no ‘talvez’, mas acontece. você me entende? entende? queimar-me com o calor ou o frio daquele corpo, limpar suas feridas, colocar panos frios para amenizar sua febre, entoar canções tarde da noite para que os seus pesadelos desapareçam. entende como eu desejo tudo nele, incluindo as desilusões? agora pergunto, quase cansada, você me entende? termino o dia com o pensamento de que o meu travesseiro, nem ele aguenta mais ouvir minhas besteiras.
em minhas partidas, carrego seu gosto em cada parte da lembrança. é como tentar puxar seu sorriso do meio da distância, você é o pedaço bonito perdido na bagunça da minha mala. quando a cidade fica em silêncio, é a sua voz calma que me chama de linda. o mundo é largo, grosso, alto. mas o nosso mundo, ah, esse é do tamanho exato para nós dois. cabe o banco da praça, as flores. e não importa onde eu esteja, cabe sempre o meu cansaço no aconchego dos seus braços, cabe sempre a sua dor de cabeça em meu colo tranquilo. o tempo corre apressado com medo da chuva. o tempo corre enquanto a gente ergue o rosto para o céu e bebe dessa água, e fica com a roupa encharcada, e se aquece num amor eternamente mutável - mas, ainda assim, eterno. vida virou leveza. dança transformou a tristeza. solidão passou a não existir depois que minha memória fixou você.
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