Essa noite a gente vai se pertencer, pois fechando os olhos, eu te vejo; e dormindo, eu te acordo. A gente sabe durar, querida, sabe durar fácil. Não para sempre, mas a gente se leva longe, causa de morte que me enche de vida. De quando em quando te expiro, e você me volta em forma de vento de agosto. Forte e destrutivo. E o medo que me causa também me traz paz, como seus cabelos negros da noite que enegrecem seu sorriso em forma de lua minguante.
Deu vontade de te escrever, Clarisse. Escrever o quando estou fora de mim desde que descobri que o meu amor durável está há mais de três dias de mim. Assisto de longe nossas vidas brincarem de mãos dadas na porta do infinito. Tem jeito, meu bem? De ter você pra mim. Espero que a gente tenha. Sabe que eu sufocaria qualquer pedaço do meu futuro condenado para correr numa noite qualquer em direção aos seus braços, não é? Eu te imagino aqui, enganando nossos corações nessa falsidade de bem-estar, quando a nossa intensidade machuca e inflama as partes mais intocáveis do nosso corpo. E talvez por isso a gente dura, Clarisse, por doer, por ser covarde, por amar machucados e feridas que jamais cicatrizam, por ser tolo como um jovem Colibri que busca amor no Alecrim.
Tenho receio de nós, má cherie, não quero que ninguém descubra esse segredo que a gente não revela nem a si próprio. Esse segredo amargo de amor que a gente guarda em envelopes e confia a um entregador desconhecido. Vai ver é cisma de quem se tem escondido. Tenta esconder tanto e acaba se enrolando no próprio novelo. Mas não posso arriscar te contar a ninguém, vai que outros cheiros te encantam, vai que outras vozes têm entonação mais doce, e vai que elas recitam mais poemas que a minha. Vai que você se encontra. E se encontrar é o fim, Clarisse, não há mais o que fazer em vida depois que se encontra. São momentos propícios para uma morte sem causa. Prometa não se encontrar, querida, nem com você e nem com eles. A insegurança não é fraqueza, pois estou te protegendo. Do meu jeito possessivo, obsessivo – e outros “-ssivos”, mas estou.
Imagino que esteja agora, com seu cabelo amarrado para trás, perguntando às estrelas onde estaria o poeta, e rei, que conseguirá colher a flor do sertão. Eu, aqui, e mais distante quanto mostra a distância, tenho você em meus pensamentos constantes. E até nos inconstantes. Sinto uma vontade de te proteger, mesmo sabendo que nosso escuro faz bem pra gente. É como não permitir que deite no chão, mas sim sobre meu corpo cheio de espinhos.
Queria mesmo que a gente se tivesse, Clarisse. Não assim, em sonhos e codinomes, pois você exigiu que fosse bem guardada, mas no corpo a corpo. Às vezes a sensação de que você vai embora toma conta e tenho calafrios que me arrepiam na alma. E não sei se faz diferença, mas não te permito ir embora. Tenho pavor de ficar só, sem o “eu” que existe em você e sem o “você” que existe em mim. Mas me deixa aqui, assim mesmo, enquanto isso, aproveitando, tendo, medindo os detalhes da sua dança que me encanta, sonhando, porque nosso dia ainda chega, nossa poesia ainda dói e nossos lábios ainda estão umedecidos. Só não deixa nosso amor virar assunto popular, a gente se desenrola melhor sozinho. Nessa solidão de ser dois, nessas palpitações desconjuntadas e nos assuntos mal-resolvidos.
Pois você é dois escudos, Clarisse, e eu sou duas espadas. E até nisso a gente se equilibra bem.
Deu vontade de te escrever, Clarisse. Escrever o quando estou fora de mim desde que descobri que o meu amor durável está há mais de três dias de mim. Assisto de longe nossas vidas brincarem de mãos dadas na porta do infinito. Tem jeito, meu bem? De ter você pra mim. Espero que a gente tenha. Sabe que eu sufocaria qualquer pedaço do meu futuro condenado para correr numa noite qualquer em direção aos seus braços, não é? Eu te imagino aqui, enganando nossos corações nessa falsidade de bem-estar, quando a nossa intensidade machuca e inflama as partes mais intocáveis do nosso corpo. E talvez por isso a gente dura, Clarisse, por doer, por ser covarde, por amar machucados e feridas que jamais cicatrizam, por ser tolo como um jovem Colibri que busca amor no Alecrim.
Tenho receio de nós, má cherie, não quero que ninguém descubra esse segredo que a gente não revela nem a si próprio. Esse segredo amargo de amor que a gente guarda em envelopes e confia a um entregador desconhecido. Vai ver é cisma de quem se tem escondido. Tenta esconder tanto e acaba se enrolando no próprio novelo. Mas não posso arriscar te contar a ninguém, vai que outros cheiros te encantam, vai que outras vozes têm entonação mais doce, e vai que elas recitam mais poemas que a minha. Vai que você se encontra. E se encontrar é o fim, Clarisse, não há mais o que fazer em vida depois que se encontra. São momentos propícios para uma morte sem causa. Prometa não se encontrar, querida, nem com você e nem com eles. A insegurança não é fraqueza, pois estou te protegendo. Do meu jeito possessivo, obsessivo – e outros “-ssivos”, mas estou.
Imagino que esteja agora, com seu cabelo amarrado para trás, perguntando às estrelas onde estaria o poeta, e rei, que conseguirá colher a flor do sertão. Eu, aqui, e mais distante quanto mostra a distância, tenho você em meus pensamentos constantes. E até nos inconstantes. Sinto uma vontade de te proteger, mesmo sabendo que nosso escuro faz bem pra gente. É como não permitir que deite no chão, mas sim sobre meu corpo cheio de espinhos.
Queria mesmo que a gente se tivesse, Clarisse. Não assim, em sonhos e codinomes, pois você exigiu que fosse bem guardada, mas no corpo a corpo. Às vezes a sensação de que você vai embora toma conta e tenho calafrios que me arrepiam na alma. E não sei se faz diferença, mas não te permito ir embora. Tenho pavor de ficar só, sem o “eu” que existe em você e sem o “você” que existe em mim. Mas me deixa aqui, assim mesmo, enquanto isso, aproveitando, tendo, medindo os detalhes da sua dança que me encanta, sonhando, porque nosso dia ainda chega, nossa poesia ainda dói e nossos lábios ainda estão umedecidos. Só não deixa nosso amor virar assunto popular, a gente se desenrola melhor sozinho. Nessa solidão de ser dois, nessas palpitações desconjuntadas e nos assuntos mal-resolvidos.
Pois você é dois escudos, Clarisse, e eu sou duas espadas. E até nisso a gente se equilibra bem.
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