naquelas semanas de abril, eu me prendia a um insistente enredo de incertezas. dentre tamanha instabilidade, sobrava-me pouca coragem para poder ser eu mesma. foi aquela tal da crise dos quatro meses, enquanto eu não sabia mais de nada, tinha medo de acabar ali um minuto depois tudo que construi. pessoas caminharam comigo e não puderam enxergar tudo que sou além do sorriso largo e das palavras gentis, com uns dez palavrões ao meio. poucos souberam que fiquei quieta ao vê-los fingindo, pra que não se sentissem mal consigo mesmos, mentindo pra mim na maior cara lavada.
pois por mais que eu me sinta mal por enxergar demais e que carregue comigo o que não consigo perceber e, simplesmente, ignorar. expus meus receios, minhas falhas, nenhuma vaidade, nenhuma personagem, somente eu, desde o primeiro instante. enquanto eu lutava com minha insegurança sem que eu tivesse controle ainda sim, você quis me levar contigo. cuidadosamente o vi recolher tudo o que pudesse fazer parte de mim, até o orgulho desmedido ganhou um cantinho para se acomodar. acredito que poucas pessoas tenham merecido tamanha transparência, pouquíssimas estariam prontas para lidar com ela. a verdade é que muitas delas usariam eu contra mim mesma, mas não você.
havia tempo desde que eu havia deixado de poder ser eu mesma, tanto tempo sem nem vontade de ser.
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